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Loucura e amor ...

... Luis Mateus

 
 

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Loucura e Amor

Amanhã é o dia do teu casamento...
Um pequeno senão. Eu não sou o teu noivo e tu és quem eu amo, és o meu anjo e demónio, quem me atormenta e me ensinou o que é loucura e amor de verdade!
Preparamo-nos, eu e tu, para uma despedida de solteira, a tua! Pouco usual. Única, a dois.
Chego ao nosso destino, um restaurante de um amigo onde a noite terá o seu inicio.
Na mesa previamente escolhida, resguardada, com vista privilegiada para a música ao vivo, está o ramo de flores mais pomposo que encomendei até hoje. À hora marcada entras estranhamente ainda mais bela do que alguma vez te vira. Era o início do nosso último jantar, ou o jantar que eu pensaria que mudava o rumo das nossas vidas. Pouco depois e após um discreto sinal ao vocalista da banda, toca a nossa música ao mesmo tempo que cai a tua primeira lágrima.

Entre lágrimas mutuas e falta de apetite, tenho a percepção clara que estás com mais dúvidas do que o pior dos estudantes num exame que não sabia estar marcado para hoje! Não quero estar ali, quero estar contigo a sós, aproveitar os últimos ‘cartuxos’ e deixar-te bem claro o que sinto! Deixar-te na consciência que o dia de amanhã será o maior erro da tua vida! Sou e não sou correspondido! As coisas entre nós, embora sempre regadas com muita loucura e amor, já tiveram tantos arranques, abrandamentos e paragens que não te entendendo, percebo a tua relutância. Estava pela primeira vez com medo de nunca mais de te ver, de nunca mais te poder tocar...
A noite era ainda uma criança. Depois do jantar, era para ser um pequeno passeio a dois pela praia, mas não. Estavam à nossa espera uma dúzia de amigos em comum, alguns deles com convite para o dia seguinte.
Os meus trabalhos de casa foram feitos na perfeição! A praia estava iluminada. Iluminada pela lua, pelo chamamento da razão, pela loucura e amor, pelo carnaval de inverno, por ti. Nem os suspiros do vento apagaram uma sequer, das cinquenta velas que na areia estavam dispostas em forma de coração.
No meio estavas tu e eu, corações a dançar e a bater descompassadamente ao som das nossas músicas.
Oposição ao passado, dúvidas acerca do dia de amanhã e dos seguintes, tudo misturado com a loucura e amor recíproco do momento.
Eu próprio não sei se a minha perseverança é loucura, se é amor, ou ambos!
Já sozinhos, insisto: "Amanhã estarás casada, mas a pensar em mim!. Não querendo, vais enganar essa pessoa um pouco mais ainda, prolongar o que não terá um fim feliz., contrariar o teu coração!"
Muito além da união de dois corpos, fizemos o melhor e mais arrebatador amor que já foi feito!
O dia quase a nascer e tudo se alinhava no sentido de ser evitado o dia de amanhã, que era já hoje! A nossa sintonia era uma espécie de confluência de loucura, paixão, intimidade e união! O casamento que não era para acontecer, estava marcado para dali a cinco horas! Ficara combinado um fim de semana de urgência no Algarve, para fugir a pressões esperadas e perguntas óbvias de resposta difícil.
Deixo-te à porta de casa e regresso em cerca de quarenta apressados minutos. Eram sete horas e eu já estava de volta, impaciente e de malas feitas. Recebo uma chamada... tua... só podiam ser más notícias. Baixinho e com voz de quem não sabe bem como dizer uma coisa destas, dizes: “não esperes por mim, desculpa, tenho de desligar “... e nem mais uma virgula a explicar o que quer que fosse!
Nunca a dor do amor me bateu tão forte e completamente de frente, quando tudo parecia estar em harmonia!
Destroçado, vou em prantos para casa, não vejo a estrada, vejo crateras de desespero! No final de cada reta percorrida a passo de caracol, não está nenhuma curva ou cruzamento, estão precipícios sem fundo a chamar por mim! Tenho de parar o carro. Despejar mais dois ou três baldes de água fria por mim abaixo, para poder chegar inteiro a casa.
Esta resposta seca e curta estava a arruinar-me o discernimento! Eu tinha de saber o porquê! Eu tinha de ouvir cara a cara, olhos nos olhos, as mesmas palavras pelo menos!
Chamada para um amigo de longa data, o Miguel: “Rapaz, preciso que venhas comigo ao casamento da Catarina e faças as perguntas depois!”
Ficou então combinada a minha estranha ida à boda de casamento da mulher que me ocupava o coração!
A quinta em questão, tinha três casamentos em simultâneo, o que facilitava a minha circulação pouco despercebida pelo recinto.
Dizem que o coração não dói. Dói pois!
Apenas o Miguel sabia da tristeza que me acompanhava. Querer transparecer serenidade e racionalidade, mas com o coração conduzido apenas pela loucura e amor de mãos dadas!
Só quem alguma vez passou por isto, é que percebe o que custa ver o casamento de quem se ama!! Sentimento apenas amenizado pelo entusiasmo comedido da Catarina! Sentia que ela não estava feliz, estava ali simplesmente, cordial para com os convidados.
Quando nos cruzávamos, olhávamo-nos perturbadamente como que a querer dizer algo.
Seria para me afastar? Para cair na realidade que não queria enxergar?
Foram duas das piores horas da minha vida. Duas horas, o tempo que demorou para arranjar uma oportunidade para falarmos alguns segundos. A conversa não foi o que pensaria. Pediu-me desculpas duas ou três vezes e já com a lágrima ao canto do olho, só tive tempo para dizer que estaria no carro, no parque de estacionamento até que me mandasse um sinal, uma mensagem, uma chamada para ir embora! Agradeci ao companheiro de todas as horas, o Miguel, e dispensei-o desta triste epopeia.
Esperei cerca de uma hora com o coração bem apertadinho e angustiado, de olhar fixo na saída, de onde nada do esperado acontecia! Recebo uma mensagem novamente curtinha que dizia: “ainda estás aí? :-)” A noite virou dia, a tempestade bonança, nem sei quantas vezes me enganei a escrever a resposta, tal era o misto de nervosismo e alegria! Vinte longos minutos depois aparece a mulher que me faz estremecer a alma. Em passo acelerado e lavada em lágrimas, sem quaisquer palavras, damos o abraço mais apertado, silencioso, emocionado e demorado que alguma vez alguém deu.
Destino... Algarve...
A persistência sempre compensa. A razão? Loucura e Amor!

Luis Mateus

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