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livro sermões sociais

"Sermões Sociais"

 
 
 

Sermões Sociais by Luis Miguel Neves Mateus

 

Título : Sermões Sociais

Género : Poesia

Páginas : 68

Preço : 9 €

 

Informações / Comprar : mail@melhores-sites.pt

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Luis Mateus

 

Sermões Sociais
~ Poesia ~

 

Sesimbra
2017

 

 


Ficha técnica:

Título: Sermões Sociais

Autor: Luis Mateus
Todos os direitos reservados © 2017 by Luis Mateus
Correio eletrónico: carpeus@gmail.com
Sítio Web: https://melhores-sites.pt/livro-sermoes-sociais.html

Ajuda Editorial: CARPEUS ®
Correio eletrónico: mail@carpeus.com
Sítio Web: https://melhores-sites.pt/carpeus.html

Impressão: VRI
Correio eletrónico: geral@vri.pt
Sítio Web: http://www.varzeadarainha.pt

Design de capa: Marta Mateus
Revisão: Sandra Pena

1ª edição: Março de 2017

 

Por indicação do autor, esta obra não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

 

Nota Poética

Neste novo livro do Poeta Luis Mateus, “Sermões Sociais”, para o qual fui convidada a escrever uma breve nota, o que muito me honrou, o autor tem a sua marca orientalista, no sentido de realçar os problemas da sociedade e valores do ser humano.
Mas, o Poeta não é um mero contador de histórias.
Os desencantos do mundo fazem-se aqui sentir na força com que nos transmite os desabafos e esperanças de uma sociedade melhor, nas suas belas e singulares criações, adensando, assim, a sua poética com enorme sensibilidade e originalidade.
Nestas poucas palavras, convido o leitor a descobrir o enorme potencial poético e crítico sobre os problemas de todos nós, neste livro que nos fascina.

Marta Carapinha Mateus

 

 

Prefácio

“Que fiéis amigos conservais,
Daqueles que o tempo não levou,
Dos que calam dores tais,
Que a própria dor já calcinou?”

 

 

Caros leitores:

Encontramo-nos à volta de uma obra literária produzida por um autor que, em tempos passados, vi escrever com sentimento, criatividade, ousadia e sobretudo originalidade. E foi então que lhe perguntei porque ainda não tinha editado um livro.
Percorrendo as páginas de “Sermões Sociais”, encanto-me com os poemas de Luis Mateus, um Poeta capaz de enxergar os problemas da sociedade e proclamar com doçura e firmeza a sua verdade através da poesia.
O livro que ora vos apresento, reúne poemas, essencialmente em oitavas, sobre os oito maiores poderes da nossa sociedade e também sobre valores e peculiaridades do ser humano.
O autor, que não se declara Poeta, antes escritor de versos, é dono de um estilo muito próprio e com uma bagagem literária que nos impressiona pela maneira como pinta e canta os seus escritos, como denunciam as poesias “Batalhas da nossa cama” ou “Casamento no trilho certo ou errado?”.
Assim como eu, espero que todos captem a essência singular que o autor transpôs em tão bela obra.
Deixem-me terminar, a ouvir a voz do Poeta a cantar: “Que por vossos sangues e raízes / Segurem vós a corda de valores / Tradições, histórias e cicatrizes / Dos vossos estimados amores.”

João Vaz

 

 

“Ponha fogo no seu sermão
ou ponha seu sermão no fogo”

(John Wesley)

 

Ser poeta: Deus dos enredos e do tempo

Letras e palavras são anarquias,
Que pintadas de cinzento,
Chamam por metáforas e analogias
Ao sabor da inspiração do vento.
Vento, que tão bem assobias
E tão longo é teu chamamento,
Quanto mais a dor me afias
Maior é de ti, o meu alimento!
Desamores e dores que me envias
Fazem-me Deus dos enredos e do tempo!
Pinto infernos de lindas pradarias!
Anjos visto de negro fardamento!
Hoje sou rei de todas as bigamias,
Amanhã servo do meu casamento!
Ser da poesia escravo todos os dias,
Mas o que quero a cada momento!

 

 

Sou trovador velhaco

Sou trovador velhaco, de zelo apostólico
Com o senso, que bem não sei se ajuíza;
Censuro o mundo real e o simbólico
Com vara curta que o justo enfatiza.
O meu e o outro mundo diabólico,
O que eu queria e o que hostiliza,
Qual doente inferno e céu católico
Que a minha prosa aqui satiriza
Cantando e ralhando a poesia,
Ora afago quente, ora chibata fria!

 

 

I
Sermões Sociais

A vós, dar-vos quero,
Sermões sociais que penso
Da sociedade que espero
Melhor e à qual pertenço,
Num opinar sincero
E rimar intenso.

 

 

I.I À Classe Política

Profetas deste país resignado,
Que da dormência desta gente,
Preferis o tolo e o ajoelhado
Ao esclarecido e ao inteligente:
Vivam! Como têm passado?
Abonada algibeira, certamente!
A nossa, por vós cá vai mirrada
Por vossa regência forjada!

Quanta da vossa governação
Nos inclina a cabeça à guilhotina?
Carrascos da nossa punição,
Que por vossa fraca doutrina,
Sobre nós pesa a condição
Da morte lenta, pesada sina
De sermos por vós engolidos
Mastigados e esquecidos!

Àqueles que dos governos da cobiça
Se fizeram pela promessa e o esquecido,
Que chegaram ao topo da injustiça
A quem o poder foi concedido
Por entre mel e areia movediça:
Vós, que tomais tudo por garantido,
Aprendam que também o oponente
Rima com ajuda à justa gente!

Quem nos guarda de vós?
Quem arbitra cartas que deitais?
Quem julga o político atroz?
Quem assume erros que façais?
Dizendo a uma só voz:
Será o rico, o político, ou quais?
Digam-nos, do nosso arrozal,
Quem gere o arroz de Portugal?

Resenhas por vós usadas
Entre sorrisos aconselhadores,
Para reais efeitos são nadas,
Antes sábios, esses senhores,
Que darão opiniões desejadas.
Revelem-se nos bastidores
Rigores que precisais seguir
E não engodos que quereis ouvir!

Vós, que da política achais
Ser como governar palheiros,
Onde nos mantêm como animais,
De nossos bens sois caseiros.
Vós, raposas que guardais
As riquezas nos galinheiros:
Digam-nos onde foi parar
Parte do ouro de Salazar?

Suplícios e demais castigos
Com tira de couro causados
Por vossos cegos umbigos
A nós, os açoitados!
Correm vós, altos perigos
De por nós serem acusados
Do exemplo que não dão!
Não fazeis! Nós também não!

Nos bailados da alternância
Dos soluços da governação,
Vede a longa e fria distância
Entre vós e a distante nação!
Quanta da vossa exuberância
É saudosa cautela e comunhão?
Saudade das décadas descontraídas
Em que as décadas eram vividas.

 

 

I.II À Educação

Sereis vós bons lapidadores?
Tendes na honra um sorriso?
Ou sois apenas predadores
Do tostão que vos é preciso?
Plantais espinhos ou flores?
Quereis nadas ou o paraíso?
Aspirai ser Deus todos os dias
E eternidade em vossas crias!

Escola, que sonho te deram?
Instruir quem saiba repisar
Caminhos que já se fizeram?
Haja empenho em alisar
Trilhos apáticos que disseram
Ser cobiçosos de endireitar!
Estimulem-se os pensadores
E não só os repetidores!

Senhores, sabeis quais
As dores da vossa agonia?
Rosas que têm mais
Sorrisos no seu dia-a-dia
Dão as pétalas dos roseirais
Cobiçadas pela pedagogia.
São jardins ao educando
Que a educação vai mostrando.

Os que na preguiça se escondem
Cuja rebeldia leva ao pranto,
Que à desordem correspondem,
Que aos mestres retiram o canto
E ao ensinado não respondem
São vosso reflexo, vos garanto!
São “futuros” plantados
Por saberes acumulados.

Leões e leoas de Portugal,
Que das crias sois alheados,
Estais desviados do primordial
Pela cegueira dos pecados
Canas, foguetes e melhor enxoval.
Filhos só, por outros educados
E não por vossa herança,
Fraco juízo, fraca segurança!

Ó grande, grandíssima docência,
As boas doutrinas entendeis?
Ao miolo deveis obediência,
Ao preparo e ao que fazeis
Tendes vós solene penitência!
De ensinar, o que pretendeis?
Serdes vulgares acomodados
Ou dignos mestres almejados?

A vós, vos dá a poesia,
Olhos de lince, pelos quais
Uma rosa se levantaria
Das terras que olhais,
E o olhar com ousadia
A flor beijava um pouco mais.
Educação e poesia abraçam-se,
Sonhos e saberes afagam-se.

Ovelhas tende paciência
Por tudo que vos é negado:
É o leme em demência,
O agradecimento encurtado
E os pastores desta aparência
Que perderam o cajado
A fazer da fingida regência,
Um dia esquecido, outro calado!

 

 

I.III À Saúde

Do ofício sois “pai-zelador”,
De todos o de maior grandeza,
Que espalha flores, cura e calor,
Pelos jardins da natureza
Dada pelo supremo criador!
Almas vossas, com toda a certeza
Tereis do céu alta recompensa
Pela entrega a tamanha crença!

Nem credos, mandos ou poderes
Ousem caminhar à frente
Do maior dos deveres:
A menor dor do paciente!
De todos os entardeceres,
Seja o deleite do doente
Um sono bem-nascido
Num crepúsculo colorido!

Mais haveres não aprovam,
Antes cortes que dão feridas.
Nas aflições esperas desovam
Em rios de gentes combalidas,
Que das curas comprovam
Doenças na saúde assumidas.
Peço o que pediu o perdido,
Achai da saúde, o esquecido!

Aos santos e heróis apeados,
Da saúde, guardiões pela metade:
Vós, curandeiros no tempo parados,
Façam-nos o favor, a bondade
De vos manterdes cultivados!
Quem da luz se evade,
Da caminhada perde a dianteira,
Erguendo da preguiça a bandeira!

Vós, que atendais nosso pranto,
A quem nos dobramos no tormento,
Na bravura do vosso canto,
Cantais ao sofrimento?
Façam da alegria, vosso encanto,
Da paciência, vosso instrumento!
Sois nobre vida a fazer bem
À saúde de quem não a têm!

Saúde é fortuna ao homem,
Dos bens, o ouro singular!
Que fúteis ganhos não somem
Dores ao nosso cobiçar
Por cobiças de qualquer ordem!
Em nome do viver salutar,
Abra-se a porta da saúde
A quem a felicidade ajude!

Do privilégio, só o diploma
Ou ter na alegria sapiência?
Que valor mais alto vos toma?
Aos vendidos por tal aparência,
O bago da uva, esse mau sintoma:
Ide com apressada veemência
Debulhar outros afazeres
E não da saúde vos sorveres!

Rei do Olimpo, o ilustre Zeus,
Senhor do ceptro, raio e trovão!
Pai de todo e qualquer Deus,
A quem Deuses devem gratidão!
Agradecei crentes e fariseus
A curadores que nos dão a mão!
Olhai por eles, ó Zeus senhor,
Os que no Inverno nos dão calor!

 

 

I.IV Aos Jovens

Jovens e idosos, que pintores!
Um pinta uma cor, com vigor,
O outro, muitas, com dores!
Pinceladas que levais de amor
Não são reparos, são flores
A vós dadas pelo professor
A quem chamais rude!
Venha capataz que vos mude!

A quem da lavoura anda fugido,
Que safra quereis, que legado?
E o passado como tem sido?
Folgada folia ou calo trabalhado?
Entre gemidos e sono perdido,
Frutos virão pelo trabalho pautado
Se deles largardes, vos exalto,
Vagueares que falam mais alto!

Vós, ávidos jovens igualados
Nas savanas a ferozes chacais,
Ambos piedosamente sustentados
Por sobras de outros animais;
Chacais, por leões saciados;
Vós, por tolerância dos pais!
Assim é a lei da natureza,
Cada qual com sua destreza.

Sensual e maléfica, essa patroa,
Escondida por detrás de rostos
Da juventude que amaldiçoa
Enfraquecidos de fracos gostos
Por ela seduzidos, e magoa
Todos quantos traz desgostos!
Difícil sair, fácil de obedecer,
Não quereis tal senhora conhecer!

A quem de tudo é patrão,
Da verdade que habita
No tempo que não dá vazão
Ao que a vontade debita.
Porque a ligeireza então?
Jovem do mundo arrebita
Dessa vaidade que te chama
Não ao dever, só à fama!

Jovem perdido e descartado
Do valoroso verbo “merecer”,
Querendo por ele ser louvado,
Calos tendes de endurecer!
Glórias do antepassado
Não vos porão a mexer,
Pelo que, alto rogarás
E de vassalo não passarás!

Fosse a força do tigre vergada
E alguém o temia acorrentado?
Temido jovem de cabeça irada
Não quereis ser enjaulado!
Vergai a força zangada
Ao que será o vosso legado.
Vós, que adorais desobedecer,
Qualquer dia, a quem o fazer?

Tanto a hoje se chegam,
Tempo que aí passam demais,
De ontem, já não se lembram,
De amanhã, não vos preocupais!
Jovens, aprendam,
Que cores-de-rosa que sonhais
São negros ontem aprendidos
Em brancos hoje esculpidos!

 

 

I.V À Justiça

Justiceiros de negras vestimentas,
Cujo martelo a ordem concerta,
Dai cor a justiças cinzentas
Que vossa justiça acoberta.
São as esperas rabugentas
E coações com porta aberta,
Que a lei cobre de escuro manto,
Lesando o pecador e o santo.

Quem paga a vagareza que demora,
Quem por ela espera, que desespera?
Povo que tais cruzes carrega e chora
Em vão, nestas malhas, nesta esfera
Da justiça que nos roga, nos implora
Ter no seu diário, o fim desta quimera.
Não vejo luz, túnel ou sequer ousadia,
Que possa por cobro a esta utopia!

Justiça tardia e não bem feita,
Fervida em banho-maria,
Tremidos laços estreita
Entre o juiz com miopia
E o pecador que se deleita!
Deitar na fervura água fria,
É verdade que não abunda
E o azeite que se afunda!

Quem aos desfavorecidos e cobaias
No revés socorre e dá justa guarida?
São novatos que da escola, das saias
Há pouco saídos, cuja rota perdida,
Qual golfinho que à costa dá em praias
De vendavais de sabedoria tremida.
Assim, necessitados e usados,
Pela justiça são mal-amados.

Sabido pecador da corte evadido,
Porque não apareceis no assento?
Embaraços vos deixaram adoecido?
Causais à justiça tal tormento,
Como noiva em choro esvaído
Por não ter par no seu casamento.
Correntes pesadas eu vos poria
Ou do chilrear vos despojaria!

Injustos dilúvios que se fizeram
Regam-vos de suspeições!
São escutas que se tiveram,
As inocências das presunções
E da justiça segredos, que lideram
Estas e outras inundações!
São divindades em retribuição
À impura justiça da civilização!

E porque impunidade é aspereza
E de pequenino o pepino se torce,
Obrigue-se o juvenil à certeza
Que tropelia não pode e se reforce:
Ou amoleçais na dura fortaleza
Onde qualquer um se contorce
E da malícia fazeis cedência,
Ou escutais esta advertência!

Bom juiz que a justiça engrandece,
De poucos saberes, pouco visionário,
Dá sábia sentença ao povo, que agradece;
Enquanto o mau juiz, ao contrário,
Que letrado, de humanidade carece,
Nos dá fraco despacho comunitário.
Profecias e leis divinas não adornam
Juízes que a justiça tanto estorvam.

 

 

I.VI À Igreja

Mão de Deus, por que causa te moves?
Amparas pobres almas e criancinhas?
Que guerras, que pazes promoves?
Diferencias abutres e andorinhas?
Tempestade, em cima de quem choves?
De palácios ou pobres casinhas?
Mão divina, porque não ajudas
E nos faltas como Judas?

Vós, que viveis nas ostentações
De vossos ouros, pratas e vestes,
Dai de vossos generosos quinhões
Aos pobres exemplo que não destes.
Sede corujas e não pavões!
Seriam estas as ordens celestes
Vindas do criador, por quem
Louros e plateias vê com desdém!

Quais os sacrifícios perfeitos
Para o favor de Deus alcançar?
Que temperos em vossos leitos?
Serão velas e fermento no rezar,
Ou vinagre em vossos defeitos?
Talvez as novenas rogar
De doces mãos estendidas
E não ausentes ou recolhidas!

Vigários, que com as esmolinhas,
Vede Cristo, os sacrilégios que fazem!
Compram bom vinho e galinhas!
Pastores que a fé desfazem,
Respondam a deuses e rainhas
As indignações que nos trazem:
Que rebanho quereis evangelizar
Com tal trato, tal semear?

Cristo nosso, que estais no céu,
Olhai e vede o nosso cansaço.
Da vossa visão, afastai o véu,
Para verdes do vosso terraço
Jardins de rosas, espinhos ao léu,
Que ferem e causam embaraço
À igreja, por aristocracias
Existentes no reino do Messias.

Casas de preces, cultos e sermões,
Governadas por tristes gerentes
Que perdidos nas enfadonhas orações,
Não empolgais vossas fiéis gentes!
Espalhai anzóis e não arranhões;
Nos sorrisos, menos serrados dentes!
E que o canto da vossa liturgia
Se faça melodioso, com ousadia.

Que petições temos de fazer,
A quem temos de nos dobrar,
Para que possais entender
Doenças que tendes de curar?
Vosso “carreirismo” e poder?
Vós, pequenos fiéis a desejar!
Entre ganância e malvadez,
Venha um demónio de cada vez!

Do alto da vossa sagrada razão,
Do céu, da terra, sois dono e senhor
Dos que por cá pregam o sermão,
Ao povo que dele mais o favor
Precisa e, no entanto, lá não vão!
Velas bentas que ardem sem valor
Na paróquia com lágrimas de cera,
Causa a fraca fé, que o fiel perdera.

 

 

I.VII Aos Patrões

Quem tendes sob o vosso charme?
Quem a tudo erguido vai e corre
Ou fraco, que em forte se arme
Diante de quem quase morre?
Pensai, antes de qualquer alarme
Em quem ajuda, quem vos socorre,
Quem vos pode causar feridas,
Duras ou ligeiras e consentidas.

Quão justos pagadores sois
Dos suores em vós deixados?
Pagais aos vossos por dois
Os dias em noites prolongados?
E o que a vós virá depois
De às querelas ficarem abeirados?
Justos queixumes apenas,
Grandes contendas ou pequenas?

Vós, casados com áridos feitios,
Por ciclones e tufões enamorados,
Vestindo de frieza vossos desafios,
Na fria terra sereis enterrados
A sete palmos de curtos pavios!
Sereis por todos enjeitados,
Se do áspero ao macio
Não se dobrar o vosso feitio!

Patrão, que a tempo e horas
O que te é devido gostas de ter,
Que honra e graça ignoras,
Não queiras por esta via obter
O fim do namoro que namoras!
Este, não acabando, vai ser
Carrasco de metas combinadas
E constelações enfrentadas.

Da chicotada e do açoite
Vive o timoneiro mandão,
Em que o dia virará noite,
Quer ele queira, quer não!
Embora à eternidade se afoite,
Água entrará na embarcação,
E antes que isso aconteça,
Favoreça-se quem o mereça!

Reis, que do vosso império
Partilham a coleta recebida,
Com tal costume, tal critério,
Do povo vêem a guarda despida!
Querendo mais esmero sério,
Invertei a conduta distraída
Onde ventos gananciosos jazem
E reluzentes sóis se refazem.

Vós, predadores do obreiro manso,
Que da vossa crista angelical
Sois como o guarda ganso,
Porquê o porte territorial?
Vós, tiranos, eu vos afianço:
Desencantos vão apanhando
De vossos telhados de barro,
Por vosso arrogante catarro!

Um anjo engrandecido ou um temido
Demónio por quem nos fica o desapego
É escolha, é caminho entre o colorido
Branco da paz e negro desassossego.
Leão que à gazela dá ouvido,
Rubi que ao cristal dá aconchego
E coruja que se presta a ensinar,
São razões de na lembrança ficar.

 

 

I.VIII Aos Mídia

Vós, que à sociedade delirante
Ides opinando e decidindo
O que é cristal ou diamante,
As verdades vão diminuindo
Por vossa libertinagem errante.
Zelosamente vós intervindo,
Criticai com justeza assim
Dizendo o que é bom ou ruim.

Sede, à água da fonte é grata.
De onde será que ela vem?
Diz o receoso: “Será que mata?”
Ao que lhe dizem: “Não sei também”.
Como não sabe, à pergunta sensata
Graceja e zoa com desdém!
Se boa fonte ele procurasse
Talvez desfavor não passasse.

Vós, que deixastes no esquecimento
O valor alto que vos devia tomar,
Tendes como vital condimento
O dever de nos bem noticiar.
Prosa deixada em detrimento
De egos que precisais engomar
Fazem do escrever um serviço
Sem benfeitoria, postiço!

Décadas últimas de decadências,
De glórias que em pobres passos
São ganhas pelas penitências
De tragédias, males e estilhaços.
Doutrinas que, pelas audiências,
Crises, pressões e cansaços,
Da escrita, se dão e vendem
A deslumbres de que dependem.

Vós, que com tesouras de alfaiates
As novidades nos vão dando,
Que por rebuçados e chocolates
As boas verdades vão cortando:
Vede os ouros de muitos quilates
De peso duvidoso e brando
Que o nosso paladar atrofia
Pelo que nos vendem: bijuteria!

De fracos vigores, éticas nuas,
É de tais senhores que sabemos,
Não gostarem de sóis, só de luas,
Sol, o maior vigor que temos,
E tu, triste lua que minguas,
Assim vos descrevemos:
Está a lua para o vassalo,
Como sol para rei a cavalo!

Curiosidade, que estás arriada,
Esperas que nada nunca mude?
Criação por ti costurada,
Remendos têm e desilude
Ou foi bem aprimorada?
E teu faro e inquietude?
São proveitos a procurar
Se na sombra não queres ficar.

Quão doce é vosso poder de criar
Novos ideais, novas influências;
Silhuetas que regalam o olhar,
Da beleza, novas tendências;
Ou dilemas espinhosos encarar:
As atraentes e más violências!
Assim se fica refém
Do poder que os mídia têm.

 

 

II
Valores e Peculiaridades

Aqui se esmiúçam qualidades,
Se esfarelam defeitos,
A bem das verdades
Somos seres imperfeitos.
Cresçamos porque metades
São meados de satisfeitos.

 

Amor, solução de todos os conflitos

Por quem tendes vós afinal
Laços feitos, nós engasgados?
Das roseiras do vosso quintal
Perdoais aos espinhos os pecados?
Que passarinhos do vosso beiral
Saciais de braços cruzados?
O amor que se dá, é o que fica
Do que se partilha e abdica.

Tempo, esse devorador avarento
Do amor baptizado de intemporal,
Que os anos tingem de cinzento
O que já foi da cor da cal.
Para remediar tal desalento
E a cor da neve ser a final,
Candeias iluminem o que definha
A branca neve, a vossa e a minha!

Amor de mãe, pai ou conjugal,
Do estranho ao parente,
Amar o próximo é igual
A concertar o gemido doente,
A arrancar qualquer mal
E a fortalecer a fraca gente.
Solução de todos os conflitos,
Dores, desamores e gritos!

 

Batalhas da nossa cama

Vem quente, linda, com o cio!
Traz os teus olhos de serpente!
Vem inocente, com desbocado feitio,
Assim te espero impaciente.
Serei teu lobo faminto vadio
Até meu malho leiteiro ficar impotente!
E que expluda a cama em euforia,
De tanto clímax, tanta pornografia!

Quero a tua língua indecente
Em gritos e gemidos alucinados,
Senti-la invadir meu corpo ardente
Por entre algemas e cadeados.
Ficar com carnes firmes e potente,
Pra te possuir de todos os lados.

Vem em labaredas, nu integral,
Saciar-me por entre tuas fendas.
Vem-te desmedida, como habitual!
Quero-te meiga, bruta, olhos com vendas,
Pra desvendares meu longo punhal,
E luxúrias e tesões serão tuas prendas.

Bebe deste meu vinho imoral
Em minhas uvas penduradas.
Em nome do prazer carnal
E almas no amor viciadas,
Celebremos por anos este ritual
Dos entardeceres às madrugadas.
E que sempre na tua companhia
Adormeça assim a minha poesia.

Batalhas estas da nossa cama,
Sejam do amor o único drama.

 

 

Pobre passarinho

Vem devagar, de mansinho,
Em doces pezinhos de lã.
Sorrindo sobre o meu ninho,
Traz-me no bico o passarinho
Uma linda romã!

Com tal engodo, a avezinha
Fustiga-me sem piedade,
E deixo a minha casinha
À sua nova rainha
Por minha ingenuidade!

Da rosa não vi o espinho,
Nem romã, nem maldade,
E no entanto o pobrezinho
Não sou eu, é o passarinho
Que não tem dignidade!

 

 

O fado mais bem feito

Cai a noite, nasce a lua,
Finda o dia e nascemos nós!
Sopra o vento que apazigua
A minha alma e a tua
Enquanto estamos a sós!

Sob o luar mais perfeito,
Cantamos a uma só voz
O fado mais bem feito
Deste amor insuspeito,
Não querendo ficar sós!

Vai-se a lua, o galo canta,
Nasce o dia e ficamos sós!
Solidão que se agiganta
Até vir a lua santa
E de novo sermos ‘nós’!

 

 

As filhas dos escritores

Do peito nascem-lhes flores.
Dão-lhes canto, cor e alento.
São filhas de trovadores
Entregues a pastores,
Que lhes retiram alimento!

Tivessem escritores, dos cantos
Admiração e reconhecimento
De todos quantos
A dor cobre de negros mantos
De desamores em sofrimento!

 

 

Família, fonte da vida, da motivação

É o horizonte da motivação,
Onde o sol nasce e adormece;
É berço do amor, fonte da comunhão,
Onde o afeto está e acontece;
É coragem, sacrifício e missão.
Por eles se mata, morre e oferece
Todas as flores que temos,
Todas as dores que vivemos.

Abrigo para onde corremos,
Na dor e alegria, o nosso pilar.
Lágrimas vertem quando morremos,
Sofrimento esse, mau paladar,
Das perdas, o pior que temos.
Melhor cuidar e desculpar,
Tudo em vida, dizer e fazer,
Antes que os possas perder.

Que por vossos sangues e raízes,
Segurem vós a corda de valores,
Tradições, histórias e cicatrizes
Dos vossos estimados amores.
Que os enganos ou deslizes,
Ou bem pior, os dissabores,
Que vos dá o néctar infiel,
Não vos tirem todo o mel.

 


Amigos, são estrelas, sóis com ouvidos

Amigos, são estrelas, sóis com ouvidos,
Que nos dão ombros, calor e luz;
São tesouros, frutos amadurecidos
Por laços que a amizade produz
Em entregas de afetos e gemidos
Como Cristo se entregou à cruz.
Laços por punhais desfeitos,
Jamais serão mantidos ou refeitos.

Que fiéis amigos conservais,
Daqueles que o tempo não levou,
Dos que calam dores tais,
Que a própria dor já calcinou?
Teriam sido cartas ou postais,
Cantares que ninguém cantou
Ou arrogâncias não contidas
Que causaram vossas feridas?

Quem por vós tem molhado os pés?
Que cimento vos une, vos apega?
Em tempestades e vorazes marés,
Por onde a amizade navega,
Quem salva quem, do revés?
Quem é o carregado e quem carrega?
Suores e lágrimas por vós secadas
São anjos, amizades somadas.

 


Casamento no trilho certo ou errado?

Vós, unidos, ou por Cristo emparelhados,
De membros inquietos, coxas tremidas,
Com sedes, febres, fomes de pecados,
Em ganas e vontades enfurecidas,
Quereis céus abertos ou enublados,
Âncoras ou bonanças fingidas?
Que legados, por que caminhos
Ides vós, juntos ou sozinhos?

Com ajuda escusada ou pedida,
Gritando ou em amena cavaqueira,
Lúcida conversa ou incontida,
Como ides vós, de que maneira,
Ganhar do casamento, a corrida?
Salvar o que resta da fogueira,
Se é que tal esforço vale a pena
Por grande chama ou pequena.

Que fado no altar foi entoado?
Qual a sina, romaria ou destino?
Ides vós no trilho certo ou errado,
Bom ou mau rumo ao céu divino?
Será o negro, verde ou dourado,
O amanhã que dele imagino
Ter a cor mais prudente,
Do casamento, a transparente!

 


Altruísmo azul

Como o mundo seria mais belo,
Se do pólo norte ao pólo sul,
Se em todo o egoísmo amarelo
Viajasse um altruísmo azul.
Cor azul, do frio peito singelo,
Com que Davi, pelo Rei Saul,
Derrotou Golias com a coragem
Precisa para tal viagem!

Vós, que doais migalhas e restos,
Que do altruísmo vos gabais,
Experimentai agora tais gestos
Com o pão que precisais!
Esmolas não são atos honestos
Do caridoso que não dá mais,
Do que lá por casa sobeja,
Não quer e já não deseja!

Altruísmos nobres e graciosos
Que o céu divino abençoaria,
Se não fossem cânticos gulosos
Da vossa ilusória melodia!
Gestos esses, cantares vossos,
Que o bom samaritano entoaria
Em cordas de falsas harpas
Que nos dão duras farpas!

 


Humildade de sabedoria aprendida

Pipilares de pintainhos orgulhosos,
Que do pequenino piar se enaltecem,
Ao lado de rouxinóis melodiosos
Que de belo cantar não carecem
Mas do orgulho são silenciosos!
Os primeiros se engrandecem,
Os demais, de sabedoria aprendida
Com os humildes e com a vida!

“Eminência, que fazer por si mais?”
Assim me dobro por obrigação!
“Querido amigo, o que ansiais?”
Assim lhe dou cortesia, atenção!
“Pobre estranho, o que precisais?”
Assim canta o nobre coração
De quem como Jesus de Nazaré,
Alteridade tem e humilde é!

Casa de pobres e caladas serenatas
Ou dignas e formosas canções?
Que traves lá estão? Caras ou baratas?
Pão e vinho de bons anfitriões
Ou fechadas portas e falsas beatas?
Que boas nostalgias e recordações
Vos tomem pelo que mais desejam,
E as humildes, que grandes sejam!

 


Liberdade a pedir e nada poder!

Da liberdade tão afastadas:
Esmeraldas em fortes gaiolas;
Zebras em jaulas pintadas;
Caixas com caladas violas;
Atrás de grades, mãos atadas
E coelhos em apertadas cartolas...
Querer voar, cantar, ter ou ser,
Querer sorrir, pedir, e nada poder!

Pequena ou grande liberdade,
Pesada ou leve solidão?
Agitado carrossel é calamidade,
Sossegado passeio é servidão.
Do desapego à saudade,
Entre devaneio e razão,
Qual o sabor da plenitude?
Doce deserto ou multidão rude?

Que venturas quereis colorir
Do que não se vê ou espera?
Cego que tudo vê florir,
Que do Inverno vê Primavera,
Que à liberdade pode sorrir,
É, qual sol sorri à quimera,
Partida para uma viagem
De branca tela e bagagem!

 


Velhice no ponto final

Virgulas, já as perdi no caminho
Onde atalhos vão dar a pontos finais;
Reticências, rezo-as sempre sozinho
Pra escapar a parágrafos canibais!
Aos poucos vislumbro o último vinho
Que beberei não sei de que punhais!
Ter menos tempo é ter mais a perder,
Quase nu e tanto pra escrever!

São horas lentas, frias e demoradas,
Que a velhice aceitou e por onde há
Pouca agitação e muitos nadas;
Estou onde a televisão está
E vejo-a com pálpebras desmaiadas;
Do que lá vejo e oiço, bastará
A minha ruidosa cama
E a visita de quem me ama...

Sou as cruzes e rasgos do desfiladeiro,
Cheio de marcas que contam histórias;
Tenho no bolso um andar batoteiro,
Relógios calcinados, que não dão horas,
Um olhar obsoleto, um falar trapaceiro,
Que pergunta quantas mais memórias
Terei com o meu melhor fato?
Oh, destino ingrato...

 


Felicidade que pedes à lua!

Tristeza, que rosas apanhaste
Por entre alfinetes que furam?
As belas flores que enjeitaste,
Em jardins que te torturam,
São as curas que sonhaste,
Se por pouco tempo duram
Os choros que lá se choram
Em dores que te devoram.

Luar, que encontros iluminaste
À beira de rios que te levaram,
Águas por um fio que deixaste
De encontros que te pisaram?
A quem tanto te dedicaste:
Esperanças que não brotaram,
Não apaguem brilhos da tua
Felicidade que pedes à lua!

 

 

Muro das lamentações

Pavões que se levantam
Baixando decoros e bastiões
Sem darem conta, plantam
No seu muro das lamentações
As vergonhas que cantam
Sem saberem cantar canções!

Diz o ditado que não aprende
O pavão da latente cidadela,
Que desse cantar depende
Pra sonhar ser coisa bela,
E por isso ele acende
À vergonha uma vela!

 

 

Boas maneiras quebram barreiras

Quando sinceras, as boas maneiras,
E não de vernizes, sorrisos sociais,
Cantadas por gentes ordeiras,
Meros peões a reis ficam iguais!
São espadas que quebram barreiras,
Cerrados rostos, cismas raciais,
De gentes sérias e fechadas,
Em casulos frios, as suas moradas!

 

 

Honestidade de São Bento

Se toda a corrupção navegada
Lá pelos lemes de São Bento
Fosse no alto mar depositada
E a ele selada com cimento,
Ficaria a dita casa desabitada
Por falta de honesto talento.
Aos poucos, de alta virtude:
Longa vida, longa saúde!

 

 

Falsidade a dançar a valsa

Filhos de cobras venenosas
Com cães rafeiros cruzados;
Netos de raposas idosas;
Abutres, os seus advogados
De causas e danças danosas;
Assim, todos bem alinhados,
São hienas a dançar a valsa
Em salões de gente falsa.

Vós, que sabeis quem são:
Ide aumentar vossos valores
De doçura, porque senão,
Vós pecadores e traidores,
Que como Eva e Adão,
Que do pecado são autores,
Sereis perigosas serpentes
Com veneno entre dentes!

 

 

Disciplina do antigamente

Com pulso de ferro à mão quente,
Que a tanta gente bem fazia,
Era a régua do antigamente
Que a ordem bem servia!
Disciplina, que heroicamente
Contra o caos e anarquia
Lutas trava e é condição
Da liberdade de uma nação!

 

 

Exemplo que não cabe em verso

Tal brilho, que não cabe em verso,
Do Vaticano, prato da conversa,
Que a ser servido ao Universo
Exemplos a todos arremessa!
De quem aqui, palavras disperso,
É quem ao mundo professa
Cá na terra, o vivo Cristo,
De seu nome, Papa Francisco.

 

 

Competência, esse raro valor

Quem, com esse raro valor
A quem o mandar compete,
Dá cartas a seu belo sabor?
Será o duque, rei, ou o valete?
Já tenho dito: “Oh senhor!
Deviam muitos pagar frete
Por beijar as mãos reais
De senhores que liderais!”

 

 

Carácter do lobo

“Lobo, que bem que te aparentas!”
Só enquanto um olho esfrego!
“E tu cordeiro, se te apresentas
Sublime e ao fútil cego,
As humildes tuas vestimentas
De ti farão maior que o teu ego!”
O lobo aparenta e veste bem
Até esgotar a paciência que tem!

 

 

Motivação de outras vindimas

Quem do receio faz condição
Para se nutrir do que subestima,
Da vida não faz senão
Beber vinho de outra vindima.
Cachos, versos em parreiras são,
Suspensos no árido clima
Onde o vosso versado vinho
Não rimou por tal caminho!

 

 

Orgulhos que encardem a brancura

Cante-se, quem tem o poder
De não abrir a sua sepultura
Com orgulhos que sem querer,
Fracassos pintam a brancura!
O mesmo, é dar à luz e ver
Sombras na nascida gravura,
Onde orgulhos divididos
Contrastam com unidos!

 

 

Quem não pecou, atire o seixo!

Ó água que cais nos telhados,
Enquanto pacientemente espero
Pelo fim do Inverno, dos pecados
Da vida, da Primavera que quero...
Chuva, sem faltas ou culpados
E só molhar o que é sincero,
É uma utopia que vos deixo:
Quem não pecou, atire o seixo!

 

 

Que chá dar ao preconceito?

Forasteiro, que sem teto ou chão
Morre em longes destinos,
Até lhe falta o padre, o sacristão,
Familiares, orações e hinos!
Ao contrário, em robusto caixão,
Morre o de cá, tocam os sinos!
Que chá dar ao preconceito
Para que se faça o bem feito?

 

 

Morte por entre dedos

É ver areia fina escoar entre dedos
E o relógio que não pára de andar!
Apontam os ponteiros cruéis torpedos
A horas que não páram de contar
As areias finas dos meus medos
Que a mão da esperança quer fechar!
Será que mão fechada o tempo segura
E a esperançosa vida nela perdura?

 

 

A flor de lótus almejada

Sou flor por nascer, por germinar,
Como ela procuro a esperança remota
Do sol, vida e paz um dia abraçar!
Vagueando por onde a flor brota,
Eis que em mim o caule sinto rasgar
Da flor nascida, à luz devota!
Da minha alma antes alagada
Nasce a bela flor de lótus almejada.

 

 

O forte cai e corre

A vida assim encarar:
Ser coruja errante
Ou papagaio ignorante,
É diferença entre caminhar
Ou cair num instante!

Ao cair, que se aprenda
Com o descuido passado,
Ou serás enterrado
Pela vida, pela fenda
Onde caístes à bocado!

O fraco a morte planta,
O forte cai e corre
Mas se agiganta!
Um, hoje se levanta,
O outro, amanhã morre!

 

 

Dedicado a quem já partiu:

Preciso do teu colo, mãe!

Da tua humilde sabedoria,
Que voltes, não vás embora,
Quem tudo sabe, tudo sabia,
Consolar-me como outrora
E das palavras fazeres poesia.

Há fogo aqui no inferno!
Desce daí, desse lugar divino
Ou morro eu deste Inverno
Pra no céu ser teu inquilino
E ter teu colo materno.

Concedendo-me a ousadia
De a Deus poder falar,
Sobre ti lhe diria:
“Mande hoje executar
Quem te levou um dia!”

 

 

Índice


Ficha técnica ... 4
Nota poética ... 7
Prefácio ... 9
(John Wesley) ... 13
Ser poeta: Deus dos enredos e do tempo ... 14
Sou trovador velhaco ... 15

I Sermões Sociais ... 16
I.I À Classe Política ... 17
I.II À Educação ... 20
I.III À Saúde ... 23
I.IV Aos Jovens ... 26
I.V À Justiça ... 29
I.VI À Igreja ... 32
I.VII Aos Patrões ... 35
I.VIII Aos Mídia ... 38

II Valores e Peculiaridades ... 42
Amor, solução de todos os conflitos ... 43
Batalhas da nossa cama ... 44
Pobre passarinho ... 46
O fado mais bem feito ... 47
As filhas dos escritores ... 48
Família, fonte da vida, da motivação ... 49
Amigos, são estrelas, sóis com ouvidos ... 50
Casamento no trilho certo ou errado? ... 51

Altruísmo azul ... 52
Humildade de sabedoria aprendida ... 53
Liberdade a pedir e nada poder! ... 54
Velhice no ponto final ... 55
Felicidade que pedes à lua! ... 56
Muro das lamentações ... 57
Boas maneiras quebram barreiras ... 58
Honestidade de São Bento ... 58
Falsidade a dançar a valsa ... 59
Disciplina do antigamente ... 60
Exemplo que não cabe em verso ... 60
Competência, esse raro valor ... 61
Carácter do lobo ... 61
Motivação de outras vindimas ... 62
Orgulhos que encardem a brancura ... 62
Quem não pecou, atire o seixo! ... 63
Que chá dar ao preconceito? ... 63
Morte por entre dedos ... 64
A flor de lótus almejada ... 64
O forte cai e corre ... 65

Dedicado a quem já partiu ... 66

 
 
 
 
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