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Poesia & Prosa : 2016


e tudo começa com o coração

E tudo começa com o coração... (16~Novembro)

Que o coração seja teu bem mais precioso; 
Que por preciosismos, não questiones o que temos; 
Que tenhamos nas desavenças, pazes e diálogo; 
Que possa dialogar contigo, mais do que falo aos meus botões; 
Que me abotoes com o silêncio, quando precisar estar calado; 
Que não impere o silêncio, quando o diálogo é a chave; 
Que a chave dos teus objectivos seja igual à minha; 
Que os meus favores, contigo tenham mais sabor; 
Que o sabor do teu trabalho me deixe orgulhoso; 
Que o orgulho na família seja um valor meu e teu; 
Que o teu outro lado, seja o meu; 
Que os meus sucessos sejam alegrias tuas; 
Que tuas alegrias sejam o meu alimento; 
Que comas comigo 100kg de sal, até o primeiro de nós partir; 
Que a loucura seja o sal da nossa refeição; 
Que me comas as vezes que quiseres e eu morra de prazer; 
Que o prazer seja também nas outras 23 horas do dia; 
Que sejas meu anjo de dia e meu demónio à noite; 
Que das noites se faça carnaval e dos dias natal;

Que me conheças melhor do que eu, 
dar-te-ei tudo o que sou, mais o que arrancares de mim,
mas nunca percas o teu bem mais precioso, o coração!

Luis Mateus


o meu jardim

O meu jardim (11~Novembro)

Borboleta, 
que em tão negro jardim queres entrar,
que me queres trazer flores ou espinhos,
não tragas
e não entres...
Fica à porta, espreita o que está à tua frente.

Consegues ver, porque lá dentro estão velas.
As acesas, rezam por amores acabados,
as apagadas, por calvários que nunca foram amores.

Diante dos teus olhos
estão mármores frios e negros.
Se reparares com atenção, 
em cima desses mármores, estão fotografias.
São fotografias de pessoas, 
a quem aos meus filhos direi, que eram amigos, 
porque foi com eles
que passei os melhores anos da minha vida.

À tua direita, a terra é estéril.
As flores que vês, vestidas de negro, não são flores!
São de pedra. 
Ali jazem fracassos
em forma de mágoas, mentiras, traições e abandonos.

À esquerda, ervas daninhas. 
Coroas de flores, por tudo o que foi em vão, 
por sorrisos e lágrimas, alegrias e tristezas,
noites inesquecíveis, noites de espera agoniante,
cartas e fotografias que se queimaram, 
ouro que se vendeu, bens que se perderam,
recomeços extasiantes, tropeços estúpidos
e sonhos que não se tornaram realidade.

Ao fundo, está um pedaço de terra.
Só tem uma linda flor.
Só tenho essa.
É para a trocar pelo resto da minha vida,
por companheirismo, amor e amizade, 
tudo junto!

Por tudo isto, borboleta,
se vieres só de passagem,
não abras a porta do meu jardim!
Mas se vieres para ficar,
se estrelas e constelações quiseres enfrentar,
se tratares o meu jardim como eu tratarei o teu,
entra, porque estive a vida inteira à tua espera!

Luis Mateus





que me guardes onde eu te guardo

Que me guardes onde eu te guardo... (10~Setembro)

Quem me fez descurar valores,
trocar quem sabe de companhia,
querer vivenciar novos sabores,
o descernimento tanto desobedecia.

Saltar a cerca, há quem diga,
dá no perigo de se apaixonar.
Ganha-se o amor? Perde-se a amiga?
Vá-se lá saber ou adivinhar!

A paixão depressa derreteu,
o brilho luxurioso da amizade,
porque o amor não apareceu
talvez pela sua fragilidade.

A minha prosa agora sossega,
por esta triste melancolia.
A faísca que já não péga
e tão bem que pegou um dia.

Desejando-te, o que não te posso dar,
que tenhas o que não tenho,
que faças o que não fiz,
que sejas quem não fui,
que encontres quem mereças,
mas que me guardes onde eu te guardo...
... no coração!

Luis Mateus


preciso do teu colo mãe

Preciso do teu colo, mãe! (27~Junho)

Da tua humilde sabedoria,
que voltes, não vás embora,
quem tudo sabe, tudo sabia,
consolar-me como outrora
e das palavras fazeres poesia.

Há fogo aqui no inferno!
Desce daí, desse lugar divino,
ou morro eu deste inverno,
para no céu ser teu inquilino
e ter teu colo materno.

Concedendo-me a ousadia,
de a Deus poder falar,
sobre ti lhe diria:
"mande hoje executar,
quem te levou um dia!"

Luis Mateus


ha dias e dias

Há dias e dias... (18~Maio)

Há dias em que olho para ti com ternura num olho e regalo no outro.
Há dias em que a tua ausência me entristece a alma.
Dias há, em que o meu coração está simultaneamente triste e alegre
como o de hoje!
Mas também há dias bonitos: hoje e amanhã!
Há dias, que sendo iguais a tantos outros, são para mim diferentes e únicos. 
Há dias em que não te vejo há três dias e amo-te mais ainda!

Tenho o coração por ti a bater.
O amor está maior do que era!
Dias, sem ti, atacam-me o coração como uma fera!
És a mulher que amo cada vez mais!
Dias sem a tua presença, são simplesmente banais.
Mas...
Amanhã é dia de te ter nos meus braços!

Dias na tua companhia, dias na tua ausência;
dias que passam a correr, dias em que falta paciência,
dias tão bonitos, outros nem por isso.
Sem ti, parece que tenho um feitiço!

Frases vazias no ar,
são tão distantes como o mar.
Sozinho, dou por mim a divagar…
Vejo-te com outro olhar,
olhar que é apenas o meu.
A tua ausência transforma-me…
O que foi que me deu?

A ti... dar-te-ei,
o amor que mereces receber!
Sei que não tens o teu coração fechado,
eu para ti nunca fecharei o meu,
pois tocaste-me com o teu amor,
e a marca ficou lá,
e digo-te desde já,
que para sempre te quero ter,
e no meu coração vais eternamente viver!...

Luis Mateus


poesia para o amor

Poesia para o amor... (03~Março)

Ó reciprocidade repentina,
que me invade a alma,
fiquei nervoso, sem calma,
por ti embeiçado, bela Carolina!

O que é que se me está a crescer,
que me devolve a vontade de escrever,
escrever poesia para o amor,
amor ilusão e pecador.
Deve ser feitiço ou magia,
atração e algo mais que sentia,
que me levou em passo acelerado,
correr atrás do teu beijo apaixonado.

Soube a pouco o beijo de fugida,
Porém uma vontade enorme de repetir.
Devo continuar ou desistir,
com esta aventura proibida?
Não sei...

Tenho tanto chamamento,
em escrever poesia para o amor,
como desejo pecador,
de nossos corpos em entrosamento!

E aconteceu...
O doce pecado atender,
o enpernamento cometer,
corpos em sintonia,
coração em arritmia
e continuo sem saber,
a razão desta loucura,
desta estranha cozedura,
em que me fui meter!

Poesia para o amor,
espero que me faça entender,
não quero ver a caneta adoecer,
nem ter de passar o corretor.

Aqueço...
Arrefeço...
Enlouqueço...
De prazer...

Um beijo e até sempre.


Luis Mateus


natal antissocial

Natal antissocial (02~Janeiro)

Em vez de pr'aqui estar a dizer,
que Natal é festividade,
alegria e bondade,
famílias juntas em harmonia,
o bolo rei, o coscorão e a azevia,
os presentes abrir
e o pinheiro a luzir...

... falemos antes de outro Natal,
O antissocial.

Há quem nunca nada receba
e mesmo assim não perceba
a misteriosa razão
de outros, que tudo dão.
Há os que muito recebem,
Os mesmos que tudo dão,
talvez os que se apercebem,
que dar e receber é tradição.
Quadra esta por vezes cheia
de gente que nos rodeia
de cinismo e falsidade.
Convida-se sem vontade,
come-se por três dias
e bebe-se sem moderação.
Amizades que viraram antipatias
a quem falamos por obrigação,
desculpas esfarrapadas
em mentiras carregadas
aos que nos são chegados:
filhos, irmãos e outros ignorados.
Convites que não foram feitos
por desavenças nos leitos
de famílias que não existem.
E assim persistem
outros natais,
os antissociais...

Luis Mateus