poesia luis mateus

Poesia & Prosa : 2019



flores

Flores (22~Setembro)

Uma Gardénia sincera pintei, inocentemente de branca!
Flor que a todos enleva, qual Florbela que me Espanca!
Fita-me depois uma Margarida pequenina e inocente,
Ali e acolá, às escondidas da Gardénia e de toda a gente...
Uma Gerbera baloiça alegre e sem saber de nada
É engolida por uma voraz Papoila encantada!
Bela flor, a Irmã do Nenúfar em água mergulhado!
Plantei juntas, estas duas irmãs do meu agrado!
Violeta e Alfazema no meu jardim vieram encontrar
Uma Rosa que queria, num poema ser plantada!
Mas nenhuma das três a viu acabada. A poesia!
Foi de dia, que uma Flor de Laranjeira me deu
Uma honra nua, que na minha lembrança e na sua
Para sempre ficará!
Flores perfeitas, onde as há?
Talvez na Índia ache Orquídeas Rainhas!
Alguém as quer suas, mas eu quero-as minhas!
Veste o Jacinto tatuado, um “Sari” encarnado...
Raro vinho tinto que não passou do noivado!
Um postal me deixaram, em jeito de recado...
Um Lírio sedutor e uma Flor de Lis que me calha...
Jogado à minha sorte, bebo no campo de batalha
Tudo o que há pra pecar: suor, luxúria e pecado!
A Coroa Imperial. Do alto da sua sedutora luz e poder,
Rompe a rombos de machado o porte régio do meu ser!
Fico amansado! Mas a Acácia amarela depois me seduz!
Creio ter espinhos e dor! E tem! Creio ser uma cruz!
Se Deus há no Céu… Ele finalmente me prendou...
Cravo branco, amor ardente, mãe de todas as ofertas,
Inexplicável flor, porque todas as outras desconcertas?
Jasmins e Gladíolos com pétalas a esvoaçar,
Prímulas e Cactos que me querem dar a mão!
Antes partir que vergar, a flores que não o são!
Mas que raio...
Uma flor, numa Flor de Lótus sentada está!
É o que esperava? Será?
Por minha culpa, não!
Antes espinhos virão!
Sai da minha sombra Petúnia! Procura a tua luz!
Sal, azedume e dolo, não são o que me seduz!
Cravo Amarelo, cantas bem mas não me contentas!
Cheirei as cores da tua alma e eram todas cinzentas!
O Açafrão e a Azálea Branca das querelas e traições,
Dos saltos pelas janelas e dos arfares dos pulmões
São como a Rosa Lilás! Não me dizem nada!
A professora Camélia, de grandes pétalas e atraente,
Não se deixou regar! Não era pró meu fino dente!
Aconteceu assim este fado…
Talvez o meu jardim não estivesse bem regado!
Adelfas e Magnólias me aquecem como as aqueço,
De dia, vestem-se às direitas, de noite do avesso!
Pergunto porém...
À Tulipa Amarela, que sonhos tens acordados?
Malas comigo feitas ou desfeitas aos bocados?
Giesta, flor que dá calor ao espinho que colhi…
Fiel livro que li! Flor que não partiu. Floriu!
Sorri a Dálias, Cardos e Flores do Campo
Antes de perguntar:
Malmequer ou bem-me-quer, o que queres semear?
Regar tais flores é como ter navio e não ter mar!
Às Begónias colhidas, que me foram dadas,
Angústias e uma flor dei, às flores rejeitadas…
Morreram todas...

Luis Mateus

 

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e lá tudo era perfeito

E lá tudo era perfeito… (18~Julho)

Lá, ninguém era cego ou mau olhado
Porque todos eram Reis do Reinado;
Não havia roubos ou ladrões,
Nem corretivos ou cem perdões;
Eram amigas, a pressa e a perfeição;
Quem caçava com gato, tinha cão;
Havia galhos para todos os macacos
E promessas não caiam em sacos;
Águas nunca vinham em bicos,
Os espertos não eram Chicos
E todo o pecado era omisso!
O feiticeiro era amigo do feitiço
E este não se virava a ninguém;
Não havia mentiras a beijar bem,
Todas socavam com verdades;
Casas não tinham portas e grades
Pois não haviam almas gulosas.
Lá dentro havia um mar de rosas
Na carta fechada do casamento
Porque todo o mar era bento,
As rosas não tinham espinhos
E gaviões não seduziam ninhos.
As cercas não eram puladas
Nem por bruxas nem por fadas;
Maridos diabos eram santos;
Não havia querelas pelos cantos;
Judas era coisa que não havia
Nem sequer no dicionário;
O vinho não batia nas cabeças
E a culpa casava-se sempre
Quanto mais não seja
Com o confessionário!

Luis Mateus

 

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a tua caligrafia

A tua caligrafia... (05~Julho)

A tua caligrafia é imaculada como as pedras do rio.
A tua letra engomada, como a vaidade de quem a nada se curva.
Letras tuas assim dispostas, em falares e perguntas,
Espalhadas pelas encostas de parágrafos que juntas,
Não param de me cantar!
Andas perdida de mim, como o sapato da Cinderela!
A minha espera já vai alta,
Como a escuridão dos corpos celestes mais distantes do universo.
E depois os Deuses,
Dão-me a luz do dia: a tua caligrafia!
Ela declama pra mim só nos solstícios de Verão!
Esses dias são quentes e longos! Mas são poucos!
Como poucos são os meus sorrisos, que são às direitas como a tua letra!
Mas afinal o que escondem as montras da tua caligrafia?
Amor ou agonia?
O que pensarão os teus olhos nos dias em que te escrevo?
Os meus já pesam, de querer um pequeno casebre que nos bastava!
Tudo o resto, se não viesse, eram amendoins para dar aos macacos apenas...
Vezes sem conta passo-te a pente fino,
Como o amor que fazemos sem tu saberes!
Sou eu que o imagino.
O amor e o cheiro dos teus comeres.
Cheiras-me a cinco filhos e um lar.
Uma casa onde o amor se cante
E onde nos vejo a governar:
Tu princesa, eu infante
E os miúdos nos afazeres de criança!
Queria dar-te o universo de bandeja
Mas ao menos receber uma esperança que se veja!
Depois de te ler, abre-se-me um vazio
Por onde a tristeza cai à terra, como um dominó que tomba todas as palavras que li...
Depois, meto-as na gavetas das coisas que me metem medo
E pergunto-me em segredo e lavado em choro:
Quando será paga a última prestação deste namoro?

Luis Mateus

 

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marido itinerante

Marido itinerante (04~Julho)

Tenho mil caras nas algibeiras
Que trouxe de mil países!
Por lá, vi favos em figueiras
Onde cometi mil deslizes
Porque o mel dos figos
Estava perto dos umbigos!

Não há coração que eu plante,
Nem flor que em mim floresça
Porque sou marido itinerante,
Sem remorso que me cresça!

Oh senhores! A minha culpa,
Que já não se sente culpada,
Não sabe se trair é desculpa
Ou se a esposa não é amada!

Luis Mateus

 

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gotas de orvalho

Gotas de orvalho... (01~Julho)

Raiar do dia sem sol ou orvalho
É como paixão caída por terra,
Que depois de solta do galho,
É manhã que o amor encerra!

Se gotas de orvalho são vãs
Em raiares do dia que tens tido,
É porque caem nas manhãs
Às quais nada tens oferecido!

Orvalho, que gorado estás,
Matuta nas escolhas feitas,
Se puxam gotas pra trás
Ou se caem às direitas!

Orvalho que à pétala não dá
Nem uma gotícula de amor
É como rosa onde não há
Espinho que cause dor!

Por folhas, galhos e intrigas,
Por onde cai a tua mágoa,
Gota de orvalho, não digas:
“Nunca beberei desta água!”

Terra ardida, sem cor
Colorida por orvalho
Faz renascer a flor,
Faz do fogo, borralho!

Luis Mateus

 

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de procurar-te ando perdido

De procurar-te, ando perdido! (28~Junho)

De procurar-te, ando perdido,
De perdido, ando cansado
De a toda a hora ser traído
Pelo que tenho procurado!

Fará sentido ou é inglório,
Pedir o que tenho pedido
E esperar que o peditório
Não vá por onde tem ido?

Mas se for, alguém me dê
Um alqueire de coragem
Pra pedir como quem vê
No deserto uma miragem!

Luis Mateus

 

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nem padre-nem-madre-nem-horta

Nem padre, nem madre, nem horta! (26~Junho)

A vida no campo vai torta
Como a dor do meu pesar!
A enxada já não corta!
Nada mais há pra cavar!

Madre, do bem fazer
Sem peso e sem medida,
Porque ousaste fazer
Uma cruz à vida?

Padre, que me fez ver
Como rezar com brilho
Porque ousaste fazer
Uma cruz ao teu filho?

Madre, do amor e cuidar
Da minha singela horta,
Já não me podes dar
Nem uma enxada torta!

Padre, que não rezas
À chuva da minha horta,
Porque não a prezas,
A enxada que não corta?

Um, já se despediu!
O outro se esqueceu
Da enxada que partiu
E da horta que morreu!

Luis Mateus

 

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bolha de sabao

Bolha de sabão (24~Junho)

Ó bolha de sabão
Que levada foste pelo ar,
Em ti voa um coração
Que não sabe amar!

Procuro luz às escuras,
O que quero e não tenho:
Arestas das minhas curas
Limadas ao meu tamanho!

O vento que atraiçoa
Tão abatida e vã espera
Faz-me ser fria pessoa,
Ser quem não era!

Já não tenho restos
De força nas algibeiras,
P’ra entoar protestos
A esperas solteiras!

Ó bolha de sabão,
Que não paras de voar,
Que posso fazer senão,
Contra o vento, remar?

Luis Mateus

 

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sereias que se apaixonam

Sereias apaixonadas! (22~Junho)

Já velejei os quatro pontos cardeais à procura de um porto seguro
Daqueles que fazem amor impuro em todos os desembarcadouros e cais
Ou dos que nos querem, mesmo salgados, tempestuosos e despenteados!
Ó vento que me despenteias...
Tanto me sopras a horas em que todas as sereias estão encalhadas
Como nos dias em que tenho a sorte já prometida!
Velejo pelas marés da vida onde sopram nortadas de ventos que beijam bem.
Não são sereias beijoqueiras, são casamenteiras delas próprias!
Oxalá não fossem comigo, essas perdas de tempo!
Mas são!
São pingos de sal que queria ser doce!
São pele e escamas que vertem lágrimas
E que me querem prendar com ouros, finas porcelanas e caxemira,
Outras,
São rajadas de ventos frios, que perseguem marujos peregrinos e fugidios!
Mas quais são afinal, as rotas das sereias que não se apaixonam?
Todo este sal, é doce fazedor de poesia!
É vento que me faz vasculhar palavras e rimas dentro do mar salgado
Onde lambo sílabas e versos
P’ra lhes retirar o sal...

Luis Mateus

 

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rum caseiro

Rum caseiro! (18~Junho)

Entrego-te nas mãos o meu jejum, enquanto despojo o teu.
E sem pudor algum, unos, viramos lobo e fingido cordeiro!
Bebo um vaso por inteiro e de seguida mais um!
O terceiro como o primeiro, soube a secura e bom rum!
Por entre runs arfados, acendo mais um cigarro
P’ra dar folga ao que não sei
Ser banal ou bizarro!
Trocamos de nomes, uns nobres, outros reles;
Fundem-se prosas, taras e peles;
Oh minha Deusa, dói-me tudo de te beber;
Tenho a boca seca de te saber de cor;
Os braços gritam queixosos, de te abrir o ventre a rombos de machado!
Bendito o néctar que dá calor e nevoeiro!
Beija bem, é doce mel beijoqueiro!
Não tenho em mim, poro que não chore, nem cigarro que chegue ao fim!
Acendes-me uma fogueira que me quer cortejar,
Aquecer ou talvez amar...
Mas a chama vai fraca, assim como a força do nosso enredo
Que joguei ao lume…
Fico tonto, de tanto olhar o céu, revoado de anjos e demónios!
Uns, querem-me enviuvar, outros casar!
Pergunto aos primeiros:
De que vale amar
Se quase ninguém o sabe fazer?
Talvez a minha sina não seja essa,
Talvez seja só procurar!

Era o que havia:
Amor bastardo, um cinzeiro, lume e rum caseiro!
Bebemos tudo...
O que havia p’ra amar!

Luis Mateus

 

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soneto a minha amada

Soneto à minh’amada (14~Junho)

Minh’amada vi em Novembro.
Há meses que não a vejo.
Tanto a estimo, amo e desejo
Que até dói se m’alembro!

Uma carta ou palavrinha
Por mais pequena que seja
Acordava quem só boceja
Do sonho de seres minha!

Se quiseres, minha flor,
Faz-nos o favor
D'enviares um sinal!

Apressa-te ou eu morro
De tanto pedir socorro
De tanto passar mal...

Luis Mateus

 

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tens um querer de quem sabe amar

Tens um querer de quem quer amar? (13~Junho)

Não interessa o passado,
Por onde tens andado,
Se és virgem ou rameira,
Calona ou trabalhadeira!

Não interessa a idade,
Se é maior ou metade,
Se és moçoila ou rafada,
Pele frouxa ou esticada!

Não interessa o que fazes,
Que ouros me trazes
Ou se não os tens!
Só pergunto ao que vens:

Só quero saber
Se vieste pra ficar
E se tens um querer
De quem quer amar?

Luis Mateus

 

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o baijo que nao te dei

O beijo que não te dei... (11~Junho)

Por mais que tente
Emudecer o meu trovar,
O meu brado só sente
Vontade de te beijar!

Porque me apaixonei
Pelo que vou roubar:
O beijo que não dei.
Ah, mas vou dar!...

Luis Mateus

 

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tulipa-verde

Tulipa Verde! (07~Junho)

Tens olho cor de Jade, verdinho;
Cabelo ruivo bravo e castanho;
Coração farto, decoro subidinho;
Dama de elevado tamanho!
És fiel aliada, és bom vinho!

És verde veludo ou cetim
És siso mas estouvada,
Bem-apessoada mas ruim!
És isto: tudo ou nada!
Quero-te não menos que assim:
Seres verdadeiramente amada
Para sempre e até ao fim...

Luis Mateus

 

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avps

Avps... (06~Junho)

Amor que é amor,
Que verdadeiro é,
Para sempre será
Eterna flor cuja fé
Nunca morrerá!

Luis Mateus

 

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os teus sapatos

Os teus sapatos! (04~Junho)

Será por calçarem pés baratos
Ou porque ninguém os quer?
É que o timbre dos teus sapatos
Irrita mais que tu, mulher!

Fico pálido de espanto
Com o fustigar desse canto,
Da prosa desses sapatos
Que são como tu: chatos!

Não sei se hei-de fugir
Ou ganir sozinho aqui
Porque não os posso ouvir
Nem aos sapatos, nem a ti.

Porque chorar não adianta
Nem resmungar alivia,
Vou cantar...
Pra outra freguesia!

Luis Mateus

 

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ha beijos assim

Há beijos assim... (02~Junho)

Levianos e compridos,
Roubados ou oferecidos,
Molhados pela diabrura
De uma boca bandida e impura!

São beijos com tal fervor,
Que escrituras de amor
São beijos da mistura
Da liberdade e escravatura!

Há beijos assim...
Que declamam pra mim!
Que deixam o paladar cego,
Que nos afagam o ego
Com calores e fervuras,
Pimenta e travessuras!

Luis Mateus

 

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oh clemencia

Oh Clemência! (30~Maio)

Minha clemência acabou!
Não sei amar assim!
Não pedi mais do que dou!
Pedi flores do teu jardim
Que a tua alma beijou...

Tuas rosas traiçoeiras
Têm espinhos de cetim!
Nunca se deram por inteiras!
Nunca foram para mim!
Tuas espinhosas roseiras
Deram a flor que me enganou!
Nunca foram verdadeiras
Nunca amaram quem te amou!

Luis Mateus

 

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ovelha-branca

Ovelha branca... (10~Maio)

Ovelha que pastas a meu lado…
Estou grato pelos encontrões, pelas pisadas e safanões que me destes…
Vêm de negras ovelhas
Ou de lobos traiçoeiros, disfarçados de carneiros e armados com tesouras!
Tesouras que cortam e ensinam...
São as melhores professoras, as facas e tesouras!
Cortam lã e agasalho, mas dão calo e sabedoria pra tosquiar o que escurece,
As cinzentas ou negras, as que não dão leite ao pastor nem aconchego à ovelha do lado…
E aprendi...
A dar leite como o pastor ensinou e fugir da faca que o lobo espetou...
Sou ovelha com lã de aço, cascos refinados, lábios mais calados…
Quero pastar em campos de altos muros,
Onde lobos ficam de fora, tesouras não cortam e facas não espetam...
Sou ovelha solitária…
Sangro onde as bandarilhas dos lobos toureiros espetaram...
Mas não morri, renasci...
Esperando pela ovelha branca
Para lhe apontar o melhor pasto…
Até este acabar...

Luis Mateus

 

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um mundo a arder

Um mundo a arder... (19~Março)

Sou de Marte!
Sou Marciano!
Vivo sem arte,
Num mundo aparte,
Num mundo insano
Onde ser humano
É engodo, é engano,
É ser leviano!
Pisam-se flores,
Plantam-se dores,
Matam-se amores,
Cantam-se horrores,
Namoram-se pudores
E dão-se louvores
A quem quer ver
O mundo a arder!

Luis Mateus

 

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mil-dores-por-curar

Mil dores por curar (05~Fevereiro)

Já acumulei mil dores
De mil feridas por curar,
Tantas quantas as cores
Das que estão por fechar!
Quais as curas ou remédios,
Pra curar os mil tédios
Que me fazem escrever
Mil poemas sem querer?
Mil perdões por pedir,
Mil sorrisos por sorrir,
Mil dores por curar
E mil espinhos por aceitar
Porque sou ser sem dono,
Rei sem trono
De uma vida por viver
Sem sequer saber
Qual dos mil destinos,
Qual dos mil violinos
Hei de tocar!

Luis Mateus

 

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eterna-estrelinha

Eterna Estrelinha (01~Fevereiro)

Quero-te demais!
Quero-te inteirinha!
Quero ir onde vais!
Quero-te só minha!
Ser agulha da tua linha,
Água dos teus arrozais,
Rei da mais bela rainha,
Num castelo ou casinha
Durante mil carnavais!
Seres a eterna estrelinha...
Que não largarei mais!

Luis Mateus

 

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afrodite

Afrodite (20~Janeiro)

Um quarto fechado, que tem:
Uma Afrodite,
Um silêncio perfeito,
Um abraço quente e trancado,
Um milagre, um tesouro que aconchego e venero
Enquanto o tempo desvairado, corre, sangra e chora
A agonia que vai e vem, como o amor que fazemos.
Cheiras a poesia e orquídeas.
Sabes a rubi doce e amargo!
E quando ainda estás, sinto saudade
Da Valquíria que vai e Afrodite que fica
No meu pensamento...

Valquíria, que me dóis onde a dor mais dói...
No coração que te entreguei.
Dóis-me porque amo as duas!
E as duas és tu.

Luis Mateus


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